Relacionamentos são uma coisa estranha.
Na verdade, eu acho que eu nunca aprendi a lidar com pessoas, nunca fui muito boa nessa coisa que - hoje em dia e por culpa do trabalho - eu chamo de
"connecting". Puxar assunto, se fazer parecer interessante e interessada no que o outro fala, desenvolver uma longa conversa agradável e coisas do tipo, nunca fizeram parte da minha lista de habilidades.
Por um longo, longo tempo, eu achei que eu tinha era preguiça de falar.
Depois eu aceitei que eu simplesmente não sou boa em me comunicar. Eu sei sorrir, eu sei ser agradável, e às vezes eu sei exatamente o que falar, mas na hora... bom, na hora eu travo.
E tudo isso é culpa das pessoas.
Eu não sei lidar com pessoas.
Eu não sei quando é o momento certo de começar uma conversa, quando é o momento de falar algo com mais docilidade, ou quando eu devo ser ríspida, e acabo agindo do jeito que eu acho melhor, e que nem sempre é o mais agradável.
Mas uma coisa que eu não faço é maltratar quem não me fez nada.
Não faço, não acho legal.
Não consigo pisar nas pessoas pra subir de cargo, não consigo ignorar uma amizade por R$0,50 a mais na minha conta bancária, não consigo ver as coisas acontecendo e não me aborrecer simplesmente porque "não é comigo". Acaba sendo por essas e outras que eu sou taxada de chata, porque eu tomo as dores dos meus amigos sim, porque eu me irrito com os outros sim.
Só que nunca é só isso. Eu não sei, nunca acreditei muito nessa coisa de inferno astral, até perceber que todo final de ano eu acabo entupida de chocotone - morram uvas passas! - e champagne, fazendo tudo pra esquecer todas as merdas que aconteceram no último mês. Em um site desses de esoterismo barato, anunciava que meu inferno astral começava no dia dois de dezembro, e só terminaria cinco de janeiro, dia do meu aniversário.
Por um lado, é bom, no dia dos meus vinte e três anos eu estarei livre das desgraças astrológicas, porém, eu odeio meu aniversário.
Odeio.
Se meu aniversário fosse no Halloween, eu odiaria o Halloween.
Nunca tive uma festa decente, nunca tive uma comemoração decente, e não vejo motivos para que exista uma. Sou bem do tipo que não sai do quarto.
Acho que, então, ultimamente eu tenho acreditado em inferno astral.
Meus amigos fora da Starbucks estão um saco, meu pulso dói como nunca, eu estou toda roxa e ainda peguei uma gripe. Minha insônia? Voltou, caso tenham sentido saudades, te garanto que não senti. Não consigo acompanhar meus seriados favoritos, caí na rua, tenho perdido o ônibus todo dia, e meu pai não pagou a internet esse mês. Não encontro um apartamento, e a umidade da parede está voltando, escutei barulhos que me fazem desconfiar que os cupins também voltaram, e sabe? Tudo isso começou depois do dia dois de dezembro.
Não, sério!
Só acontece comigo.
Fora que dia quinze tem o show que eu tô esperando desde minha adolescência (cof cof), The Used! E, como todo bom inferno astral, minha gerente me colocou pra abrir no sábado (assim dá tempo de sair e ir pro show!) e no DOMINGO. Ou seja: vou virar a noite e ir trabalhar.
Fala se inferno astral não funciona???
We speak in the store I'm a sensitive bore You seem markedly more And I'm oozing suprise. But it's late in the day And you're well on your way What was golden went gray And I'm suddenly shy. And the gathering floozies Afford to be choosy And all sneezing darkly In the dimming divide. I have read the right books To interpret your looks You were knocking me down With the palm of your eye.Peach, Plum, Pear - Straylight Run (Joanna Newson cover)